sábado, 30 de julho de 2011

SUPERAÇÃO

 Talvez o maior atributo de uma pessoa vitoriosa seja a capacidade de superação. Não existe alguém que não tenha experimentado a derrota em algum momento crucial da vida. Invencibilidade é um mito! Todos os grandes expoentes, seja no campo do esporte, da política, das artes, do Direito ou dos negócios, já sofreram revezes. O diferencial entre o vencedor e o medíocre reside na capacidade de aprender com os insucessos e tornar-se melhor em razão deste aprendizado.
 No MMA, esta teoria pode ser demonstrada pela sequência de confrontos mais clássica da categoria meio-médio do UFC: Georges St. Pierre contra Matt Hughes.
 O wrestler americano Matt Hughes é um lutador excelente em quedas e com vigor físico excepcional, porém arrogante e unidimensional. Seu jogo sempre se resumiu a derrubar os adversários e castigá-los com socos até o final da luta (o chamado "ground-and-pound"). A trocação nunca foi seu forte e seu jiujitsu se restringia a fundamentos rudimentares (apesar de já ter finalizado alguns oponentes).
 Já o canadense Georges St. Pierre é oriundo do Karatê, mas se aprimorou em todos os aspectos do MMA, treinando wrestling e jiujitsu com alguns dos maiores especialistas do mundo. Atualmente, GSP é considerado por muitos o melhor lutador de todas as categorias de peso do esporte (dividindo votos com o brasileiro Anderson Silva).
 Contudo, a situação era bem diferente em outubro de 2004, quando foi realizado o UFC 50. Naquela época, Hughes era o lutador a ser batido no peso meio médio. Com a saída de BJ Penn do UFC, a luta valeria o cinturão de campeão. Matt era amplamente favorito nas bolsas de apostas. Georges vinha ganhando destaque na categoria, mostrava variedade de golpes e garra. Todavia, não era considerado impressionante em nenhum aspecto. O início do combate foi equilibrado, mas Hughes sobresaiu-se com domínio por cima no solo e acabou finalizando o desafiante com uma chave de braço, a 01 segundo (isso mesmo!) do final do round.


 St. Pierre ficou, compreensivelmente, devastado. Havia perdido a chance de obter o tão sonhado cinturão. Precisaria voltar a vencer vários oponentes, de maneira convincente, para ter nova oportunidade.
 Este é o momento crucial pelo qual todos, uma hora ou outra, passarão. O momento de se abater ou de superar as adversidades.
 Tivesse GSP se deixado levar pelo desanimo ou ficado lamentando por não ter resistido ao golpe fatal por mais um segundo, certamente seria apenas outro lutador que descambou para o anonimato. Contudo, a atitude do canadense foi justamente a oposta. Em pouquíssimo tempo, St. Pierre estava de volta aos treinos, buscando se aprimorar nos pontos onde havia sido falho. Treinaria com ainda mais intensidade. Melhoraria sua estratégia. Voltaria o seu jogo para anular o de Hughes. Mostraria que podia ser melhor. E assim o fez.
 Após vencer 05 lutas em seguida, GSP obteve a chance de revanche contra Matt Hughes no UFC 65. Georges não demonstrou medo ou intimidação, ao contrário do que fazem muitos quando têm a chance de confrontar antigos algozes. O canadense foi decidido e inteligente, aproveitando as deficiências técnicas específicas do americano. GSP sobresaiu-se nos golpes em pé, com socos e chutes potentes, sem deixar margem para ser derrubado. Por fim, acertou um decisivo chute alto, seguido de uma saraivada de socos até obter a vitória por nocaute técnico. Aprendera com tudo o que o havia prejudicado e se tornara o novo campeão meio-médio do UFC.


 Um legado não é constituído somente de uma vitória e quem deseja ser uma lenda sabe bem disso. Assim que a luta foi encerrada, ainda no octágono, St. Pierre disse para Hughes que aceitaria uma terceira e decisiva luta quando o americano desejasse. Não bastava ter ganhado: precisava provar que era incontestavelmente o melhor. Os dois guerreiros voltariam a se enfrentar no UFC 79.
  No terceiro embate, quando todos esperavam que o canadense fosse adotar a mesma estratégia e buscar o nocaute, GSP mostrou porque é diferenciado. Surpreendendo a todos, enfrentou Matt Hughes em sua especialidade: o wrestling. Georges não só defendeu todas as tentativas de queda do americano, como também derrubou seguidamente o adversário e o dominou no solo. Sobrepujara seu antigo nemesis onde este se considerava o melhor. E, para coroar a vingança. faltando 05 segundos para acabar o segundo round, GSP finalizou Matt Hughes com uma justa chave de braço, o mesmo golpe que havia lhe causado a derrota na primeira luta.


 Georges St. Pierre é o exemplo perfeito de que uma queda não significa fracasso. E que, com dedicação, humildade e coragem, cada tombo é uma valiosa lição no caminho do sucesso.

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